Deputado Darcisio Perondi - Presidente da Frente Parlamentar da Saúde1 - Qual o impacto social e econômico das perdas na capacidade visual?É um belo desafio. Merece um estudo, do Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA), por exemplo. O que significa não enxergar ou enxergar pouco? Sem dúvida, essa questão tem forte impacto econômico. Um motorista de caminhão que sofre um acidente e perde a visão. A baixa produção numa sala de aula de um professor que não está enxergando bem. Socialmente, o impacto também é grande. A autoestima de uma pessoa que não enxerga ou enxerga pouco, que tem possibilidade de melhorar sua visão, mas não tem as portas do Sistema Único de Saúde abertas para ela. Parabéns ao Conselho Brasileiro de Oftalmologia por provocar essa discussão. 2 - Em sua opinião, quais são os aspectos relevantes do Fórum para a sociedade civil? O Quarto Fórum tem uma missão iluminadora. Acordar o Parlamento Brasileiro e mostrar que a perda da capacidade visual é um problema de saúde pública e que precisa fazer parte das políticas nacionais de saúde pública. Será mais uma oportunidade para nós discutirmos o financiamento do SUS, no momento em que o Governo Federal, usando de todos os seus expedientes, impediu que o Congresso Nacional fixasse um percentual mínimo, equivalente a 10% de suas receitas correntes brutas, de investimentos no setor de saúde. Este Fórum também precisa discutir qual a responsabilidade do Governo Federal no financiamento do SUS. Os demais entes federativos já assumem, bem ou mal, a sua parte. Os Estados têm que gastar o mínimo constitucional de 12% do que arrecadam em saúde e os municípios 15%. O Governo Federal, ao impedir os 10% para si, passou para a sociedade que o dinheiro para a saúde é este que está aí. Ou seja, não haverá nem um centavo a mais. Isto é assustador, sob o ponto de vista de saúde pública. 3 - O Fórum de Saúde Ocular proporciona a interação entre especialistas, que representam a sociedade civil, e os parlamentares, que representam o poder legislativo. Qual a importância desta iniciativa o aprimoramento da atuação dos parlamentares? Os oftalmologistas já estão sentindo o tamanho dessa importância. A cada Fórum somam-se novos aliados dentro do Parlamento e avançam mais um pouco dentro do Ministério da Saúde. Esta integração entre médicos e Parlamento é altamente salutar. Eu vi isso na luta pela aprovação da Lei de Biossegurança, que regulamentou as pesquisas com organismos geneticamente modificados e com células-tronco embrionárias, quando os cientistas descobriram o Parlamento e começaram a interagir. O meu gabinete virou um QG dos cientistas. Foi um dos comitês da inteligência brasileira. Tomara que toda a medicina brasileira, cada vez mais, venha interagir com o Parlamento. E nós, como parlamentares, também precisamos dessa interação. Isso é uma via de duas mãos, pois o parlamentar aprende e a medicina ganha. 4 - O Fórum comemora dez anos desde a sua primeira edição. Por isso, este ano o evento terá ainda a oportunidade de traçar uma linha do progresso da Saúde Ocular da última década. O que se espera como resultado deste traçado e quais as expectativas para os próximos anos? Eu vou sentar na primeira fila para ouvir com atenção os avanços da oftalmologia brasileira nos últimos dez anos, mais recentemente focada na saúde pública. |
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